Parar;
Respirar;
Pensar;
Respirar;
Pestanejar;
Enlouquecer;
Insandecer;
Respirar [não posso esquecer de respirar;
Abrir os olhos;
Vestir meu riso;
Despir meu griso;
e cantar.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Lo que me hace falta.

A busca incessante por alguma coisa que eu não sei é o que me deixa louca.
Sinto falta.
Falta em mim.
Algo falta, faz-me falta.
Num espaço reservado,
longe de mim,
existem coisas,
sensações,
desejos tão íntimos que, até de mim, minha alma esconde. Eu não nasci para isso, eu não nasci para amar. Talvez eu fosse o anjo torto, aquele que indagou Drummond, mal sabia eu que ali, naquele homem gauche mais sentimento tinha do que um dia eu possa ter.
Drummond cheirava a sentimento, martírio. Cada pessoa cheira a algo... umas a dinheiro, outras a problemas, outras a sexo. Eu cheiro a pó, a estagnação. Eu sou o avesso, estou às avessas. De que?
Se ao menos eu soubesse o que me falta... mas eu sei quanto doi o vazio.
É que para sentir falta, a gente precisa ter tido.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Domingo

O vento nas árvores batia
a brisa roçava em meu rosto,
O jardineiro as folhas varria
E as folhas caiam...
Era domingo!
O sol esquentava o meu corpo
Sentia o calor e sorria
Sorria ele para mim
Me afogando em tanta sintonia
Ai, era domingo!
O calor, o gozo o riso
Era tanta alegria
Que isso e apenas isso
Me valia.
E o vento agonizante batia
E o sol gozosamente eu sentia
E o jardineiro calmamente
Mais folhas recolhia.
Naquele dia de domingo.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Se [foi]

Bem,como fazia tempo que eu não postava aqui, deixarei dois textos: o anterior e este - que já é antigo, mas tem vida-, espero que eu não esteja tão enferrujada ainda depois desse recesso todo, depois dessa brusca pausa na tão prazerosa arte de escrever.
Se ela soubesse
Se ela ouvisse
Se ela falasse
Gemesse,
Gritasse.
Se ela sentisse
Se ela tocasse
Se ela pensasse
Mordesse,
Falasse.
Se, se, se
Sse, sse, sse
Mas Nela só cresce...
Ela só floresce e
Desaparece.
Quantos se's cabem nas ramas de uma árvore?
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Sentímetro - mede o que sente.
Percebi então
a ruína que causava
A distância de um centímetro
C e n t r í m e t r o
(cen) (ti) (metro)
Senti
Sem ti (metro)
(100) 10 (contados) (ti) (metrô)
Sem ti,
a 100 metros e
10 contados
do metrô.
a ruína que causava
A distância de um centímetro
C e n t r í m e t r o
(cen) (ti) (metro)
Senti
Sem ti (metro)
(100) 10 (contados) (ti) (metrô)
Sem ti,
a 100 metros e
10 contados
do metrô.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Cerrados

Eu sei, é difícil dizer.
Sim, sim, eu sei, mas preciso.
Preciso dizer o que já sabes.
Pois já me sabes.
Baby, é difícil lembrar do que foi e mais ainda do que não foi. E saber da nossa franqueza, da nossa incerteza, faz eu debulhar-me em lágrimas, mas também em sorrisos. Sim, sorrisos. Dos quais não esqueço jamais.
Penso em nossas inúmeras músicas, baby - feitas só para nós, nas palavras, nas poesias, nas mensagens, nas ligações, na presença, olhos nos olhos, boca e ouvido, boca e boca, gemido. E penso em nós dois e em tudo o que nos constitui um só. Do que mais precisamos além de ad-estar? Acredito que de coragem, hoje, muito mais que antes, de ambos.
Lembro do carinho, do abraço, do peito colado, da orquestra latente em meu ouvido, do cheiro, do beijo - ai, do beijo!-, das mãos enroscadas, do pescoço tão frágil, dos ojos cerrados. Lembro de tudo isso com já tanta nostalgia.
Eu tentei, bem, tentei dar o que precisavas, mas negaste a ajuda. José não negava um carinho, um beijinho, um estar. E eu não negava nada disso. A presença num simples olhar já era bela. É incrível como é simples fazer-nos felizes. [Sim, você me faz feliz de um jeito simples, muito simples.]
Os olhos fechados, la lengua en comun, o querer-te, querido, o querer te querido, as voltas, o ciuminho, a ternurinha, o baby, os 10 contados, o altar particular, o
ad,
ad,
ad
..................................................................................
Quais caminhos convergem pro mesmo lugar?
Tu marchas? Não marchas.
Tu valsas? Não valsas.
Tu giras? Buscas? AMAS? Protestas?
Não. :~
José, para onde?
É tarde e sinto dizer, mesmo sabendo que o pedaço mais importante já foi-se trocado entre nós, que já não há mais nós. A corda está livre, sim -não há mais nós.
E agora, José? A festa acabou...
[Eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento. LISPECTOR C.]
sábado, 21 de agosto de 2010
Altar Particular - Maria Gadu

Meu bem que hoje me pede pra apagar a luz
E pôs meu frágil coração na cruz
No teu penoso altar particular
Sei lá, a tua ausência me causou o caos
No breu de hoje eu sinto que
O tempo da cura tornou a tristeza normal
E então, tu tome tento com meu coração
Não deixe ele vir na solidão
Encabulado por voltar a sós
Depois, que o que é confuso te deixar sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós
Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver, como se deve ser
Ou então, dizer que dele resolveu cuidar
Tirar da cruz e o canonizar
Digo faço melhor do que lhe parecer
Teu cais deve ficar em algum lugar assim
Tão longe quanto eu possa ver de mim
Onde ancoraste teu veleiro em flor
Sem mais, a vida vai passando no vazio
Estou com tudo a flutuar no rio esperando a resposta ao que chamo de amor
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