domingo, 13 de junho de 2010

El alma.


A cada dia que passa, sinto que morro um pouquinho. Não, não é o físico. Isso pouco me importa. Sinto minha essência dissipar-se. Como a água esquecida na chaleira. Esquecida.
"Quem é você? O que você quer?". Essas perguntas nunca me foram tão pertinentes como são hoje. Q u e m s o u e u ?
[...]



Eu sou eu. Uma flor não necessariamente desabrocha. Sim, ela desabrocha. Mas não se pode forçar esse acontecimento tão bonito, é como tirar a lagarta do casulo e privá-la de virar uma linda borboleta.
Não dá para abdicar da vida e a ela simplesmente dizer: adeus. Ninguém percebe, mas morre todos os dias, deixando de mostrar seus verdadeiros eu's, privando as pessoas, ao redor, de conhecer a grandeza da alma que se carrega. A alma. Acho que o ser humano deveria ser medido pelo tamanho de sua alma, pela grandeza de sua essência, que infelizmente é tão íntima. Poucos têm o privilégio de conhecer o interior de outro ser e, ainda assim, não o conhecem por inteiro.
É nesse mar de sensações, a alma, que podemos ser quem somos, que podemos brincar de escorrega no arco-íris, pular de nuvem em nuvem e ainda assim achar que não é sonho.

Eu sou eu, eu sou carne, eu sou dor, eu sou amor. Eu sou sonho, fantasia, paixão, loucura, tudo de uma vez. Na verdade eu sou dúvida, eu sou certeza, ou sou dúvida mesmo? Não o sei. Minha alma é grande demais para que eu busque definições.

Rayanne.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Ad.


E que a verdade seja sempre dita; o momento seja sempre aproveitado -de preferência agarrado por entre os dedos- e que o beijo seja sempre beijado.
E beijado já antes o fosse se não houvessem limites, se não houvessem desamores.
O beijo não fora o de sempre. Havia ali um desespero atraentemente inocente. Parecia o último dos encontros ao encontro do adeus. Boca, nuca, mão; dentes, dentes, mão.
O dia adiando. Os lábios escrevendo. Ad. Ad. Os corpos dançando com nenhum mundo a mais por perto. Rodando... A voz baixa, o peito rouco, o riso no canto. E os olhos... os olhos fechados, bem fechados, generosos com os ouvidos -seus olhos estavam sendo generosos, permitindo que os ouvidos também captassem melhor o instante- mas se abriam de vez em quando para que cada minuto, num cenário da tarde clara, não se passasse em vão. E não foi em vão. E não é em vão.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

José e outras significâncias.


Se eu pudesse perguntar a José, eu preguntaria.
Se eu pudesse dar amor a José, eu daria.
Se eu pudesse apenas olhar para José, eu olharia.
José...? José...? [só um minuto, ele não responde.] José??? ... ... ???
José não respondeu, José não quis amor, José não quis ser visto.
Será que José agora morreu? Um sujeito não pode ficar a vida inteira inerte no mundo. É preciso força, é preciso sonho, é preciso coragem. É de demasiada urgência o amor, motor do coração. Estás ficando velho, José, teus cabelos já apresentam os belos fios de prata da vida. Ama.
Como bem disse Drummond: "E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu."
Ou seja: ACORDA, JOSÉ; SE MOVA, JOSÉ!

"-Sujeito teimoso esse José.
-Ele adormeceu na realidade, meu caro Carlos, releve."

Torno a dizer que se pudesse, daria amor a José. Eu gosto de José. O sujeito não tem mulher, não tem discurso, não tem carinho, não pode beber, não pode fumar...
É que ele não tem nada, talvez nunca tivera nada. Não se pode esperar de um indivíduo algo que ele nunca teve acesso, nunca se deve esperar.
Não. José não era teimoso, José era triste.

Quer ajuda, José?

/Rayanne Albuquerque.

(...)

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre
,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?


Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta
;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José
!


(...)
[excerto do poema José, de Carlos Drummond de Andrade.]

http://www.memoriaviva.com.br/drummond/poema022.htm

ATENTE PARA A DIREITA DO POEMA, AUDIO DO AUTOR.

domingo, 6 de junho de 2010

Enlaces


O frio na barriga estranhamente, mas não menos atraente, se apaziguou com o encontro -tépido- dos corpos. A mistura das sensações era tão interessante que ao passo em que eles se tocavam, novas sensações emergiam de seus âmagos...
Boca, orelha, nuca, pés, mamilos, mãos.
Beijos, abraços, carinhos, apertos. A batida dos corações. [tum. tum. tum.]
Ainda faz frio -Sí, hace frío. "Encosta mais e me aperta; cola o teu peito no meu e me deixa sentir o teu coração.", ela falou.
Olhando fundo nos olhos daquela mulher(as pupilas dilatadas, os hormônios à flor da pele, o coração desritmado, a respiração a falhar...) ele simplesmente suspirou e atendeu ao seu pedido.
O frio na barriga estranhamente cessou. Ela abriu os olhos e, diante de si, viu a realidade.
E fora apenas mais um sonho.

"Não feche a porta"


A vida vai escoando pela janela -que não é a do meu quarto, mas aquela da qual diariamente te vejo- o que não é tão bom quanto se pensa. Pensar já é apenas pseudoexistir, é não trazer para dentro de casa o que se vê, o que se sente. A melhor saída é agir, mas esta é para poucos, para os que têm coragem, os que têm "fogo nas ventas" mesmo. Admiro a coragem, a afirmação de saber quem se é, o que se quer, a vida é tão curta que não dá pra ficar pensando muito se algo é bom ou ruim, bonito ou feio. Admiro quem não pensa, dá a cara a tapa e vive feliz. A vida, hoje eu percebo, é tão simples. É um breve piscar de olhos, um centésimo de segundo que fechamos os olhos em que perdemos ou ganhamos muita coisa. Feche os olhos, sinta a vida, mas oscilar no piscar é fundamental, porque não basta apenas sentir a vida, é preciso vê-la e tocá-la também. Viver é ter aguçados: tato, olfato, audição... paladar... visão. Viver é aceitar-se, viver é acreditar-se, viver é renunciar-se, é amar-se. Se, se, se... Nunca tive tanta raiva de uma condicional, embora nada tenha a ver com os pronomes, há uma limitação grande demais, que esconde o medo. Contei isso para uma velha amiga, bem pequenina, quase do tamanho de uma formiga. Ainda disse-lhe mais: VIVA, não tenha medo, seja feliz. Não deixe o medo encobrir o que existe de tão belo dentro de ti, solte toda essa beleza, compartilhe-a com quem a quer bem. Ria acompanhada, fale bobagens, abrace com todo o coração, ande de mãos dadas. Mas não se pressione, formiguinha, pq nem as mais fortes formigas conseguem carregar uma folha sozinha. (:

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Olhos fechados



Fechar os olhos, viver a vida.
Um beijo, feche os olhos.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Poesia sem fim [poesia]

Querido baiano, pela transformação em poesia de minha prosa, dedico esse post!


A poesia que não tem fim
é o que se encontra em tudo o que me transforma.

A poesia. A poesia é o meu cantar diário,
meu suspiro constante. Meu remédio,
meu calmante. Antes fosse um veneno qualquer ou um bom vinho que me derrubam.
Mas não. Ela só me enaltece. Ela corre viva em minhas veias de cetim.
Bate forte no meu peito como um amor bate em mim.
É que eu sou toda prosa,
mas a poesia insiste em não me deixar em paz. Já tentei abandoná-la.
Minha vida sem ela é o Buarque sem suas letras; não tem combustível, não há emoção.
A vida sem ela é quase um martírio,
é quase o delírio de quem não perde a razão.
Essa é a vida que eu quis: papel e caneta na mão; som, ritmo, amor, paixão.

A vida de quem (não) ama, mas que perde a razão.
E se em mim há poesia, meu bem,
pra quê ter razão?
Me entregar por inteira não me impossibilita de ter os pés no chão.
Ver o bom em tudo não me restringe de dizer não.
Beber e perder o juízo não me impede de ver a beleza dos pequenos momentos.
Saber que existo e me sinto, e mais importante:
saber do que sou feita, dão o torpor pro meu coração.
O resto do mundo, se quiser que ouça, se quiser que veja.
Se quiser ,ainda, que toque. Mas eu. Eu sinto. Sabe por quê?
Por que eu não sou nada prosa -verdade de quem mente-,
eu sou poesia
-a mentira de quem vive.