domingo, 6 de junho de 2010

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O frio na barriga estranhamente, mas não menos atraente, se apaziguou com o encontro -tépido- dos corpos. A mistura das sensações era tão interessante que ao passo em que eles se tocavam, novas sensações emergiam de seus âmagos...
Boca, orelha, nuca, pés, mamilos, mãos.
Beijos, abraços, carinhos, apertos. A batida dos corações. [tum. tum. tum.]
Ainda faz frio -Sí, hace frío. "Encosta mais e me aperta; cola o teu peito no meu e me deixa sentir o teu coração.", ela falou.
Olhando fundo nos olhos daquela mulher(as pupilas dilatadas, os hormônios à flor da pele, o coração desritmado, a respiração a falhar...) ele simplesmente suspirou e atendeu ao seu pedido.
O frio na barriga estranhamente cessou. Ela abriu os olhos e, diante de si, viu a realidade.
E fora apenas mais um sonho.

"Não feche a porta"


A vida vai escoando pela janela -que não é a do meu quarto, mas aquela da qual diariamente te vejo- o que não é tão bom quanto se pensa. Pensar já é apenas pseudoexistir, é não trazer para dentro de casa o que se vê, o que se sente. A melhor saída é agir, mas esta é para poucos, para os que têm coragem, os que têm "fogo nas ventas" mesmo. Admiro a coragem, a afirmação de saber quem se é, o que se quer, a vida é tão curta que não dá pra ficar pensando muito se algo é bom ou ruim, bonito ou feio. Admiro quem não pensa, dá a cara a tapa e vive feliz. A vida, hoje eu percebo, é tão simples. É um breve piscar de olhos, um centésimo de segundo que fechamos os olhos em que perdemos ou ganhamos muita coisa. Feche os olhos, sinta a vida, mas oscilar no piscar é fundamental, porque não basta apenas sentir a vida, é preciso vê-la e tocá-la também. Viver é ter aguçados: tato, olfato, audição... paladar... visão. Viver é aceitar-se, viver é acreditar-se, viver é renunciar-se, é amar-se. Se, se, se... Nunca tive tanta raiva de uma condicional, embora nada tenha a ver com os pronomes, há uma limitação grande demais, que esconde o medo. Contei isso para uma velha amiga, bem pequenina, quase do tamanho de uma formiga. Ainda disse-lhe mais: VIVA, não tenha medo, seja feliz. Não deixe o medo encobrir o que existe de tão belo dentro de ti, solte toda essa beleza, compartilhe-a com quem a quer bem. Ria acompanhada, fale bobagens, abrace com todo o coração, ande de mãos dadas. Mas não se pressione, formiguinha, pq nem as mais fortes formigas conseguem carregar uma folha sozinha. (:

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Olhos fechados



Fechar os olhos, viver a vida.
Um beijo, feche os olhos.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Poesia sem fim [poesia]

Querido baiano, pela transformação em poesia de minha prosa, dedico esse post!


A poesia que não tem fim
é o que se encontra em tudo o que me transforma.

A poesia. A poesia é o meu cantar diário,
meu suspiro constante. Meu remédio,
meu calmante. Antes fosse um veneno qualquer ou um bom vinho que me derrubam.
Mas não. Ela só me enaltece. Ela corre viva em minhas veias de cetim.
Bate forte no meu peito como um amor bate em mim.
É que eu sou toda prosa,
mas a poesia insiste em não me deixar em paz. Já tentei abandoná-la.
Minha vida sem ela é o Buarque sem suas letras; não tem combustível, não há emoção.
A vida sem ela é quase um martírio,
é quase o delírio de quem não perde a razão.
Essa é a vida que eu quis: papel e caneta na mão; som, ritmo, amor, paixão.

A vida de quem (não) ama, mas que perde a razão.
E se em mim há poesia, meu bem,
pra quê ter razão?
Me entregar por inteira não me impossibilita de ter os pés no chão.
Ver o bom em tudo não me restringe de dizer não.
Beber e perder o juízo não me impede de ver a beleza dos pequenos momentos.
Saber que existo e me sinto, e mais importante:
saber do que sou feita, dão o torpor pro meu coração.
O resto do mundo, se quiser que ouça, se quiser que veja.
Se quiser ,ainda, que toque. Mas eu. Eu sinto. Sabe por quê?
Por que eu não sou nada prosa -verdade de quem mente-,
eu sou poesia
-a mentira de quem vive.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Algo novo

Como tudo na vida, ou quase tudo que não é perfeito, nada é para sempre!
Mas aí é que está: até onde a gente pode acreditar que as coisas são perfeitas?
E, de fato, o que é perfeito?
Você tem uma vida normal, amigos que te amam, uma família que está sempre ao seu lado quando você precisar, ainda que não perceba, talvez um namorado ou namorada, tudo vai bem na sua vida, o que aparentemente para você é muito estranho, aí de repente você para e começa a cogitar possobilidades: "porque está tudo tão perfeito?", "porque está acontecendo comigo?", "e se isso acabar logo?". O ser humano nunca está satisfeito com o que tem e pior, acha estranho quando coisas boas acontecem, afinal, vivemos numa sociedade estagnada frente ao caos. Mas, também existe o contrário, há quem diga que só ocorre coisas ruins em sua vida e também se questionam acerca de tais acontecimentos: "porque eu?", "será que eu vou viver assim pra sempre?", "será que nada de bom vai acontecer pra mim?"...
Quando o ser humano vai parar de pensar e simplesmente viver?
É um fato, mas nós sempre nos preocupamos com o próximo passo a ser dado, nos preocupamos em ultrapassar obstáculos sem realmente perceber que eles eram importantes. É bom pensar, mas é bom para guardar lembranças, sejam elas boas ou ruins...
Existem momentos e pessoas que ficam apenas nas nossas lembranças, porque às vezes não dá para voltar atrás e reviver tudo em matéria. Então não vejo uma forma melhor de eternizá-los senão em pensamento.
É preciso ter força para aceitar algumas decisões, saber renunciar é sempre uma forma de demonstrar sabedoria e obviamente coragem.
Então o que sugiro é que vivamos sem pensar no próximo passo, no que pode vir a acontecer, fazer cada momento valer a pena e torná-lo especial para que nunca seja esquecido. O importante é viver. A vida sempre nos trará algo novo, algo que temos que aproveitar da maneira que nos é indicada, mas sempre com muita parcimônia para que não haja frustração ou dor, mas quer saber? Isso não é viver, então LANCE-SE, seja feliz, porque aquele momento de felicidade não vai mais voltar atrás... o depois? O depois é só um detalhe, se a pessoa que você quis amar ou ajudar não perceber a beleza desse seu gesto é porque não aprendeu ainda a viver! Mas, já dizia o grande Carlos Drummond de Andrade,: "a dor é inevitável, o sofrimento é opcional." Pessoas que vivem não sofrem. (:
Viva o hoje e não pense nem se preocupe com o amanhã.
Rayanne Albuquerque.

domingo, 14 de março de 2010


Hoje quero fazer um post diferente.
Eu, nesse momento, estou ouvindo um CD bem fraquinho... RAY CHARLES! ;)
O cara simplesmente conseguiu unir o gospel afroamericano com a sensualidade e a leveza do blues, que a propósito eu adoro, formando o que hoje a gente chama de soul...
As pessoas têm uma mania horrorosa de dizer: "eu sou eclético!"
Dá logo uma vontade de perguntar: "Tem certeza, honey?" hahaha.
Ah, vai, isso é pedantismo da minha parte, enfim! Eu na verdade nem quero falar apenas da música, mas lembrei do filme sobre Ray Charles, intitulado: Ray. Super sugestivo, né!? Dãr! hahaha
Mas, levando a sério agora, o filme mostra o que a gente geralmente não vê por trás de um grande cantor e compositor...

Fazendo um breve resumo do filme:
Ray Charles , aos cinco anos, viu o irmão se afogar numa banheira; aos seis ele perdeu a visão por conta do glaucoma, depois sua mãe, INTELIGENTEMENTE, o matriculou numa escola para cegos e surdos, lá ele aprendeu a linguagem braile e também foi lá onde ele iniciou sua carreira musical, aprendendo a tocar vários instrumentos. Aos 15 anos ele perde a mãe e sai da escola. Aos 17 ele começa a tocar numa banda de jazz e vai embora pra Seattle, onde lá ele fez sua primeira gravação e viciou-se em heroína. "Eu fiz isso a mim mesmo. Não foi a sociedade... não foi um traficante, não foi porque eu era cego ou negro ou pobre. Foi tudo minha culpa",, afirma o próprio Ray em sua biografia.
Uma curiosidade da vida do cantor, mostrada no filme, é que mesmo diante de sua deficiência e MESMO CASADO, Ray era um cafajestezinho, daqueles que a gente conhece bem, hein? hahahaha. Ele definia se uma mulher era bonita ou não apalpando os seus pulsos, estranho, né?
Pois bem, Ray Charles podia ser um canalha, mas EU AMO A SUA PRODUÇÃO ARTÍSTICA, me lembra bailinhos de filmes antigos... São músicas como "hit the road Jack"; "yesterday"; "your cheatin' heart"; "ruby"; "unchain my heart" enfim, uma lista seletíssima e cá pra nós super apaixonantes...

p.s: outra curiosidade é a semelhança entre o o ator que interpreta o cantor e o próprio Ray Charles. Praticamente as mesmas pessoas.

Bom, fica a dica: o som e o filme!

Rayanne Albuquerque.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Met (:

Fazendo uma intertextualidade, amantes da literatura, vocês já o devem conhecer.

Me sinto metade poesia, metade humana em prosa
Metade música, metade matéria em carne
E às vezes sinto que cada metade grita tão alto que quer calar a outra
É que uma metade é meu ego e a outra, é o conjunto de mim.

Me sinto em desintonia, na angústia de ser e não ser,
Isso pouco a pouco me corroi,
Porque metade de mim é certeza, a outra eu não sei

Me sinto por várias vezes fatigada,
Mas a alegria em meu âmago brada desesperadamente
Para mostrar quem eu sou
Ah! Metade de mim é o meu coração, mas a outra, a minha razão.

Estou cansada desse duplo-eu
Não posso mais.

Cansei de não sentir – é muito ruim não ter tato.
Cansei de ser fria – é insuportável não sentir ardor.
Cansei de não ser – é desesperador ter que usar esta armadura.

Quero esvair!
Não é tão fácil – algo grita em mim.
Que se exploda,
A fiúza em mim é o meu remédio.

Ah! Sinto um novo odor...
É a minha verdade.
A verdade é que eu me sinto e isso me basta.

Rayanne Albuquerque.